José Luís Cabaço

José Luís Cabaço é natural de Maputo. Passou grande parte da infância na Zambézia. e chegou a integrar o exército colonial, já com algumas ideias progressistas. Foi cineclubista e chegou a fazer incursões no cinema amador. Admitido como membro da Frelimo em 67, estudou Direito em Coimbra e licenciou-se em Sociologia em 71, na Itália. Voltou a Moçambique para fazer um trabalho clandestino, recolher informações, activista da Luta de Libertação. Como jornalista colaborou com o Diário de Moçambique, subdirector do Notícias. Entre outros cargos políticos, após a independência, foi Ministro dos Transportes e Comunicações e, posteriormente, da Informação, tendo sido uma das mentes por detrás do Kuxa Kanema. É co-fundador da Ébano Multimédia, e nos anos noventa, foi docente do ISPU. Doutorou-se com distinção em Ciências Sociais, em 2007, no Brasil e foi Reitor da Universidade Técnica de Moçambique.

Lopes Barbosa

Lopes Barbosa nasceu em Portugal onde, desde adolescente, integrou o cineclube local, no Porto, e assistia compulsivamente aos filmes exibidos na sua cidade. Fez as suas primeiras experiências com caixas de papel e câmeras d e 8mm ainda criança. Ao integrar o Serviço Militar foi-lhe atribuída a função de foto -cine. No fim dos anos 60 mudou-se para Angola por motivos pessoais, onde começou uma carreira como crítico de cinema nos periódicos locais e onde realizou algumas curtas - metragens agora desaparecidas. Foi convidado a integrar a equipa de Courinha Ramos, um Moçambique, no início dos anos 1970. Foi operador de câmera, produtor e realizou algumas curtas. Em 1972, com o apoio do artista Malangatana e sem o conhecimento do seu empregador, produziu e realizou o filme de ficção “Deixem-me ao menos subir às palmeiras”, um dos paradigmas da censura ao cinema em Moçambique. O filme foi proibido e Lopes Barbosa mudou -se para Portugal, regressando a Moçambique já na década de 200º onde reside e trabalha actualmente.

Maria de Lourdes Torcato

Maria de Lourdes Torcato, moçambicana naturalizada e nascida em Lisboa há 77 anos, é mais conhecida hoje como jornalista. Maria de Lurdes Torcato era uma “mulher comum” quando foi convidada, em 1970, a integrar a equipa de redacção da revista TEMPO. Apaixonada por cinema e cineclubista na então Lourenço Marques, ela não se contentava com escrever sobre “coisas d e misses” e elaborava artigos de fundo e crítica sobre o cinema que se fazia e que se via em Moçambique nos anos 1970. Logo após a Independência em 1975, foi convidada para trabalhar na área tutelada pelo Ministério da Informação do primeiro governo de Moçambique independente. Este Ministério tutelava não apenas os meios de informação escrita particularmente os Jornais, a Rádio e a edição de Livros e Discos, mas também o Cinema. Nesta fase da génese da nova nação, o Cinema era visto sobretudo na sua vertente de produção de filmes que informassem e divulgassem a imagem do país, as conquistas da independência e as realizações do governo da Frelimo. Foi nessa perspectiva que dentro do Sector da Informação se debateu o papel do Cinema na nova realidade saída da luta contra o domínio estrangeiro através da luta de libertação nacional conduzida pela Frelimo. Deste debate nasceu aquilo que hoje se chamaria a sua Missão. O mais complexo e controverso foi chegar a uma conclusão consensual e viável sobre a maneira de criar uma instituição que materializasse a nossa Visão. Foi assim que se chegou ao Instituto Nacional de Cinema e Maria de Lourdes Torcato fez parte do grupo fundador do INC. Entre 1985 e 1997 foi correspondente da antiga AIM e da RM, na África do Sul, onde permaneceu 12 anos. De regresso, colaborou com vários outros periódicos e, entre outras actividades profissionais, fundou a editora Missanga e foi também colaboradora do festival Dockanema.

Manuel Malo

Manuel Malo nasceu na Ilha da Inhaca e veio para Maputo ainda jovem è procura de trabalho. Desde 1969 que integrou a equipa do estúdio de Melo Pereira onde desempenhou funções e se especializou nas tarefas de laboratório. Em 1976 integrou o recém-criado Instituto Nacional de Cinema onde trabalhou até aos anos 90, quando terminou a produção e os laboratórios não mais funcionaram. As suas competências de comunicação e os seus sólidos conhecimentos de história levaram-no a colaborar, desde o início, com o projecto Museu do Cinema que o convidou a apoiar na inventariação de equipamentos antigos e, como monitor de visitas guiadas.

João Costa Funcho

Funcho nasceu em 1951 em Viana do castelo mas, no mesmo ano chega a Moçambique. Inicia o curso de Engenharia Mecânica, que não termina e começa a trabalhar como repórter fotográfico no jornal “A voz de Moçambique”, colaborando mais tarde (1974) com “O Notícias”. Ingressa no INC em 1977 e depois de uma formação trabalha como operador e realizador. Faz vários trabalhos cinematográficos no Zimbabwe. Actualmente, continua as actividades como fotógrafo.

Gilberto Mendes

Gilberto Mendes nasceu em Lourenço Marques. Em criança teve os seus primeiros contactos com o cinema e sonhava ser um famoso actor. Trocava filmes de Chaplin em 8mm com os amigos que convidava para assistir em casa, com o seu pequeno projector. Na juventude foi campeão de natação e integrou durante anos a selecção nacional de Moçambique. Em 1985, foi escolhido para o papel principal em “O vento sopra do Norte”, a sua primeira experiência como actor. Nos anos seguintes ingressou no grupo Mutumbela Gogo e participou na longa -metragem “A Child from the South”, de Sérgio Rezende, em 1991. Quando abandonou o Mutumbela Gogo fundou a sua própria companhia de teatro - o Gungu - e adquiriu os cinemas Matchedje e Estúdio 222 que, actualmente, leva o nome de Cine-teatro Gilberto Mendes. Foi presidente do Conselho Nacional da Juventude e deputado suplente na Assembleia da República. Escreveu, realizou e actuou em séries televisivas e criou a televisão Gungu. Participou em vários outros filmes e escreveu o texto que originou o argumento de “Quero ser uma estrela”, uma longa-metragem realizada por José Carlos de Oliveira.

José Cardoso

José Cardoso nasceu em Portugal e, órfão de pais, mudou-se para Moçambique ainda criança para morar com os tios. A sua relação com o cinema começou na juventude, no internato de Namaacha - onde brincava de sombras chinesas com os colegas - e nas salas de cinema de Lourenço Marques. Premiado jogador de xadrez e cantor, a sua actividade como cineasta amador teve início na cidade da Beira onde fundou o cineclube daquela cidade, participou no movimento que construiu o cinema Novo Cine e realizou, entre outros, as curtas-metragens “O Anúncio”, “Pesadelo” e “Raízes”, marcos importantes da cinematografia moçambicana dos anos 1960. Integrou o INC, primeiro como Director, na Beira, depois em Maputo. Realizou dezenas de documentários e dirigiu a equipa de “O vento sopra do Norte”, em 1986. José Cardoso tem ainda vários contos publicados e um romance inédito assim como, 4 volumes de memórias que contam, na primeira pessoa, a sua maravilhosa história de vida.

Avelino Mazuze

Avelino Mazuze veio para Maputo ainda jovem à procura de trabalho e para poder continuar os estudos. Trabalhou em diversas áreas relacionadas com a pintura industrial mas o seu jeito natural e amor pelo desenho cedo o levaram a desenvolver trabalho nesta área. Integrou o INC onde trabalhou até à primeira década do séc. XXI. Desenhava os cartazes da maioria dos filmes moçambicanos e de muitos ciclos de cinema. Estudou animação com vários especialistas e, para além de animador dos poucos filmes desse género que foram produzidos na época 80/90, fazia a animação dos créditos dos documentários e filmes de ficção.

Machado da Graça

João Ferraz Miguel Machado da Graça nasceu em 1946 e, depois de crescer em Moçambique, licenciou-se em Direito, na Universidade de Coimbra, em Portugal. Participou no 25 de Abril, em Portugal e regressou a Moçambique, na viagem oposta a muitos. Foi sub-chefe da secção internacional do jornal Notícias, em 1976, onde editava o “Kurika” (banda desenhada) e “Njinguiritane” (suplemento infantil). Colaborou com o semanário Domingo e foi o primeiro correspondente da RFI em português nos anos 80. Trabalhador da Rádio Moçambique, empresa da qual era reformado, tendo representado a Comissão de Trabalhadores nos órgãos de Direcção. Era amante de teatro e dinamizador da Associação Cultural da Casa Velha, onde encenou mais de 50 peças de teatro desde 1982. Foi colaborador do Instituto Nacional do Cinema (INC) – tendo participado como figurante, no filme “O tempo dos leopardos”, e como director de arte em “O vento sopra do Norte”. Foi director do Instituto Nacional do Livro e Disco (INLD) e fundou a editor Promédia. Colaborou com o jornal Savana, com crónicas e ilustrações semanais, e o diário português Correio da Manhã, até à data da sua morte. Jornalista, dramaturgo, actor, encenador, cenógrafo, produtor, artista plástico, ilustrador ou reciclador.

Luís Simão

Luís Simão nasceu em 1955, em Nampula, onde ir ao cinema fez parte da infância. Após a independência participa na criação do INC onde trabalha, inicialmente, como assistente de câmera, operador e, mais tarde, realizador. Nos anos 1980 dirige a delegação do INC para as províncias de Sofala e Manica e, em 1983, ascende a Director-geral de produção do instituto. Nos anos 1990 integra, como vários outros, a equipa da TVM, onde é actualmente membro do Conselho Administração da TVM.